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Guiomar é uma localidade do interior do Município de Vargem Alta, muito rica em suas paisagens e principalmente, na história. Foi um dos primeiros povoados a se formar na localidade através da linha férrea, na época construída pela LEOPOLDINA, atual FCA(Ferrovia Centro-Atlântica). Muitos moradores dizem que o surgimento da localidade de Guiomar está ligada a um importante personagem da época: O Sr. Carlos Gentil Homem. Segundo antigos moradores, ele foi responsável por trazer a ferrovia para a região,já que no projeto inicial a área que hoje é o município de Vargem Alta não seria utilizado pela ferrovia. Ainda contam que ele tinha três filhas: Guiomar, Virginia e Matilde. Ele deu a cada estação ferroviária o nome de uma filha: Estação de Guiomar, Estação Virgínia (hoje Jaciguá) e Estação Matilde (hoje a localidade de Matilde). Conta-se que na época da criação das ferrovias, a via era muito utilizada pelos jesuítas. a Igreja Católica tinha grandes quantidade de ouro, e como não existiam instituições bancárias, a melhor e mais segura saída era enterrar em locais estratégicos. Alguns moradores dizem que existem tesouros escondidos pelas terras da localidade, e alguns contam que seus antepassados até mesmo tiveram sonhos "reveladores" sobre a localização do tesouro. Até o momento, não se sabe se os fatos são reais ou mera crença local, porém existem muitos relatos de moradores antigos.
Agradecimentos à Evaldo Costalonga, colaborador do VargemAlta.com
Segundo o conteúdo do site www.caminhadasestrilhas.com.br, o Sr. Carlos Gentil Homem arrumou briga feia, levando à morte um engenheiro civil. Com letras de ouro ficou gravada na história de Vargem Alta a participação do casal Gogfrey William Rose e Maves Rose, ingleses que aqui permaneceram até a morte e onde estão sepultados. O Dr. William Rose dedicado engenheiro que trabalhou na conclusão da via permanente eliminando barreiras com seu esforço pessoal. A Botânica Maves Rose manteve um viveiro de pesquisas botânicas em uma chácara que adquiriu aqui e é preservada até hoje em homenagem ao casal que muito se empenhou no desenvolvimento da região.
HISTORICO DA LINHA FÉRREA
O que mais tarde foi chamada "linha do litoral" foi construída por diversas companhias, em épocas diferentes, empresas que acabaram sendo incorporadas pela Leopoldina até a primeira década do século XX. O primeiro trecho, Niterói-Rio Bonito, foi entregue entre 1874 e 1880 pela Cia. Ferro-Carril Niteroiense, constituída em 1871, e depois absorvida pela Cia. E. F. Macaé a Campos. Em 1887, a Leopoldina comprou o trecho. A Macaé-Campos, por sua vez, havia constrtuído e entregue o trecho de Macaé a Campos entre 1874 e 1875. O trecho seguinte, Campos-Cachoeiro do Itapemirim,foi construído pela E. F. Carangola em 1877 e 1878; em 1890 essa empresa foi comprada pela E. F. Barão de Araruama, que no mesmo ano foi vendida à Leopoldina. O trecho até Vitória foi construído em parte pela E. F. Sul do Espírito Santo e vendido à Leopoldina em 1907. Em 1907, a Leopoldina construiu uma ponte sobre o rio Paraíba em Campos, unindo os dois trechos ao norte e ao sul do rio. A linha funciona até hoje para cargueiros e é operada pela FCA desde 1996. No início dos anos 80 deixaram de circular os trens de passageiros que uniam Niterói e Rio de Janeiro a Vitória. A estação de Guiomar foi inaugurada em 1907. Era a primeira estação, na linha que vinha de Vitória, construída já pela Leopoldina depois de uma interrupção de obras de cinco anos. "Foram esplêndidos os dias passados em Guiomar, que os ferroviários chamaram ''Cinqüenta e Nove'', porque dista 59 km de Matilde. (Depois da linha construída em 1907 ficar pronta) a produção, desde Matilde até Vargem Alta, em plena serra, desbravada pelos colonos italianos, imigrantes do Vêneto, não procurou mais os portos de Guarapari, Piúma e Anchieta: desceu pelo traçado custoso da Leopoldina. Os colonos obtiveram melhor preço para seus produtos e a zona serrana tomou alento temporário. As terras frias não foram propícias aos cafezais plantados aos soluços e promessas a Nossa Senhora do Caravaggio. As férias foram memoráveis. O escolar encontrou novos companheiros, Tancredo e Raul, e os caminhos das colônias foram varridos em montarias trotonas. Pelo trem das quatro e meia, veio de Matilde ''Seu'' Serafim e, dois dias depois, com mais roupa e outra botina amarela, o menino e seus amigos Tancredo e Raul lá se foram em férias para Guiomar. O trem corria pouco, as rodas rangiam nas curvas e cada junta dos trilhos solancava com um ''trutuque'' enjoado. Na estação de Viana tomaram café com bolos de arroz, vendidos pela mulher do agente. Partiu o comboio, depois de longa demora, e na caixa d''água, em Jucu, enquanto se reabastecia, chuparam mangas. Com velocidade reduzida o trem seguiu, batendo caixa. A rampa e as curvas amarravam a corrida. O vale do Jucu é uma beleza! Corredeiras, árvores enormes, embaúbas, palmitos, bois pastando nas encostas descorticadas pela erosão! Os meninos conversavam, comiam bolos, faziam planos e lembravam-se do Vilanova com certo receio. Passaram os túneis, receberam muitas fagulhas nos olhos e venceram as estações de Germânia, Marechal Floriano, Rio Fundo e Araguaia, úmida e garoenta. Com o Sr. Lorenzoni à espera de jornais, Iriritimirim, parada rápida e, finalmente, alcançaram o vale do Benevente. Guiomar é o divisor de águas entre Cachoeiro de Itapemirim e Vitória. Lá morava o médico José Teixeira de Mesquita, que assistia os operários, e de lá o frei Manoel Simões, da fazenda do Centro, periodicamente vinha batizar, casar e assistir os colonos italianos, então numerosos, em Vargem Alta, Virgínia e Alto Rio Novo."
(Luiz Serafim Derenzi, descrevendo o local da estação nos anos 20; reproduzido de http://gazetaonline.globo.com/estacaocapixaba)
Agradecimentos à Edvan Farias Colli
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